Urbanidades

quarta-feira, março 15, 2006

Não te disse?

Acho que já te pedi desculpa. Acho que já te jurei que não o fiz por mal. Acho que já te prometi que não volta a acontecer. Acho que já te disse que estou arrependido. Mas acho que nunca te disse, nem sequer por uma vez, que me fazes falta. Nem te disse sequer que o teu sorriso me deixa feliz, que o teu toque me acalma e as tuas palavras me comovem. Nem muito menos te disse que quando tu estás não penso em mais ninguém e quando não estás és a única pessoa em quem eu penso. Acho principalmente que nunca te expliquei o quanto representas para mim e o quanto eu te amo. Meu Deus... Nunca te disse que te amo! Desculpa amor, juro que não fiz por mal. Prometo que não volta a acontecer. Estou mesmo arrependido...

Hoje vou ser o teu Deus

Hoje vou ser o teu Deus. Vou ser omnipresente, omnipotente e omnisciente. Vou ser o teu Todo-Poderoso. Não me confundas. Não vou ser o teu génio da lâmpada. Não te concedo três desejos. Concedo-te quantos tu quiseres. Pede-me um banco e eu dou-te um sofá. Pede-me um jantar e eu dou-te um restaurante. Pede-me uma casa e eu dou-te um condomínio. Pede-me um país e eu dou-te um Continente. Pede-me o Mundo e eu dou-te o Universo. Hoje, e só hoje, podes ser e ter o que quiseres.
Na Bíblia da minha religião, está descrita a tua pessoa pelos diferentes apóstolos. Os testemunhos destes apóstolos em pouco diferem. Mas há uma coisa que todos referem. O teu sorriso é digno de divindade. Estão por isso convencidos de que és o novo Messias, filha do teu Deus, que, por hoje, sou eu. Estão enganados. Não foste tu que nasceste para me servir. Fui eu que nasci para ti.
Hoje e só hoje vou ser o teu Deus e podes ter a certeza que deste dia não te vais esquecer. Durante anos e anos vais-te questionar porque é que aquele dia correu tão bem.
Se não entendes porque é que eu faço isto eu explico-te. Por ti eu não como. Por ti eu não durmo. Por ti eu não tenho vícios. Por ti eu não vivo. Por ti eu sou Deus. É por ti que eu existo e é por ti que hei de morrer. Se não acreditas vê. Não como há horas porque quero lembrar o sabor do almoço que tive, hoje, contigo, para sempre. Não durmo há vários dias porque não quero perder a hipótese de pensar em ti a noite toda. Não fumo nem bebo por tua causa. Não vivo como devia só de pensar que não te tenho. Sou teu Deus por um dia só para que leias isto e me dês dez minutos de atenção.

Hoje vou ser o teu Deus e peço-te por tudo que me deixes. Quero ver o teu sorriso e saber que fui eu quem o causou. Quero ver-te feliz e saber que foi culpa minha. Quero que chegues a casa, à noite e, enquanto te encolhes para te aqueceres nos teus lençóis, olhes para o tecto e digas “Meu Deus! Obrigado por este dia maravilhoso!”